Mosaico da Vila

E repare o leitor como a língua portuguesa é engenhosa. Um contador de historias é justamente o contrario do historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias
Machado de Assiso leitor como a língua portuguesa é engenhosa. Um contador de historias é justamente o contrario do historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias" Machado de AssisOSAICO DA VILA
E repare o leitor como a língua portuguesa é engenhosa. Um contador de historias é justamente o contrario do historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias" Machado de AssisICO DA VILA
E repare o leitor como a língua portuguesa é engenhosa. Um contador de historias é justamente o contrario do historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias" Machado de Assisepare o leitor como a língua portuguesa é engenhosa. Um contador de historias é justamente o contrario do historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias" Machado de Assis
Imagem de São José de Botas do século XVIII

Credos e superstições

Certas famílias em Oeiras preservam no âmbito de suas moradas, hábitos, costumes e rituais que foram incorporados à história da cidade ainda nos idos do “ciclo do couro”, algo que permanece vivo, seja no paladar ou simplesmente nas corriqueiras orações aos pés dos santos de devoção, desses que são passados como herança, seguindo a velha recomendação oral, onde os mais velhos encarregam os mais moços de preservar as rezas, os benditos ou zelar pelas imagens sacras, onde muita tem sua origem portuguesa.

Diante a disso, chama atenção, São José de Botas, imagem do século XIX, que bem poderia ser apenas uma imagem velha e desgastada, caso não fosse as histórias que estão contidas nas entrelinhas de cada pai-nosso e ave-marias que um dia foram debulhados dos rosários por moçoilas de uma certa família, que por sua vez tinham grande devoção ao santo.

Religiosamente, São José é cultuado, ora como operário, ora como o castíssimo esposo, algo que na cultura popular lhe dá a obrigação de arranjar por meio de orações um bom marido, responsabilidade talvez bem mais difícil do que a de Santo Antônio – o “casamenteiro”, que se encarrega popularmente de apenas encontrar um companheiro.

Assim, entre credos e superstições, as moçoilas dessa certa família, que por sua vez foram renegadas ao “amor oposto”, maltrataram por muitos anos a simplória imagem do santo, como castigo por não lhes disporem um “homem perfeito”, dessa forma, arrancara-lhe do seu braço, a imagem do menino Jesus, ainda em doloso castigo, queimaram-lhe a outra mão. Contam as bocas miúdas, que por muitas vezes o santo era posto de cabeça para baixo como predileto castigo das carolas solteironas, todavia, a teimosia demasiada do destino as predestinou-as a solidão sem fim, diluindo-as entre intrigas, paixões proibidas e orações.

O mais fantástico disso tudo é perceber que a simplória imagem de São José de Botas, nos evidência uma história popular, que outrora foram escondidas por trás de pedidos de orações, que agora são revelados como “causos” de uma tradição secular. O bom mesmo, é incarar essas personagens comuns como sujeitos implícitos de uma história, onde por muito tempo foram simplesmente figurantes, enquanto eram destacados supostos “heróis”, que agora tombam, quando se busca valorizar essas pequenas histórias de muitos significados.


Júnior Vianna,
Oeiras, abril de 2008

Um comentário:

velho monge disse...

Ei amigo mais uma vez esbanjando sabedoria né?Continui assim procurando sempre estar bom em sua retorica e mantendo agente informado Históricamente.