Mosaico da Vila

E repare o leitor como a língua portuguesa é engenhosa. Um contador de historias é justamente o contrario do historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias
Machado de Assiso leitor como a língua portuguesa é engenhosa. Um contador de historias é justamente o contrario do historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias" Machado de AssisOSAICO DA VILA
E repare o leitor como a língua portuguesa é engenhosa. Um contador de historias é justamente o contrario do historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias" Machado de AssisICO DA VILA
E repare o leitor como a língua portuguesa é engenhosa. Um contador de historias é justamente o contrario do historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias" Machado de Assisepare o leitor como a língua portuguesa é engenhosa. Um contador de historias é justamente o contrario do historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias" Machado de Assis
Catedral de Nossa Senhora da Vitória

Nossa Senhora da Vitória do Sertão do Piauí


“Trezentos anos de História/ De Resistência e Vitória/ Um povo unido que espera/ Raiar uma Nova Era.”

(A marcha de um povo que espera/ Pedro Guimarães)


Sob o orago a Nossa senhora da Vitória, nasceu a Freguesia brejeira da Mocha no sertão do Piauí, uma investida não muito contemplativa aos olhos dos curraleiros da Casa da Torre. O que se fazia nessas terras no findar do século XVII era um misto de evangelização e ousadia, mistificado na proeza Migueliana, sob a batuta de Dom Frei Francisco de Lima que da Cátedra de Olinda-PE, em invocação ao Senhor Salvador do Mundo desejava que se efetivasse a criação de um novo núcleo eclesiástico em terras sertanejas, algo audacioso para época, mas acima de tudo era uma vitória para aqueles poucos homens que moravam em solo piauiense. Uma vitória sob as bênçãos de Nossa Senhora da Vitória, representada através de uma imagem simplória e de uma beleza quase que implícita. Um ícone seiscentista, que de acordo com informações de Dagoberto Junior, teria a sua origem em alguma oficina baiana.

Imagem Primitiva de Nossa Senhora da Vitória Século XVII


Assim, diante a ermida simplória, a freguesia se transformou em vila, não tardando em ser elevada a condição de cidade, ao tempo que o Templo custodiado por homens, ditos bons, deram ao orago uma “Casa Forte” de pedra e sobre o retábulo da capela-mor, aos pés da imagem, eram feitas rezas e benditos em honra a vivos e defuntos e seguindo a medieval tradição enterravam seus parentes dentro da igreja. A imagem primitiva de Nossa Senhora da Vitória tronou na matriz até meados do século XIX, quando foi substituída por outra imagem de mesma invocação. Posta a nova imagem, o que teria sido feito com a imagem primogênita?

Atual Imagem de Nossa Senhora da Vitória Século XIX


Foi recolhida a sacristia com a alcunha de velha, mas mesmo assim era usada nas procissões que anteriormente realizava-se no terceiro domingo da Trindade. Com o passar dos anos passou as ser hospedada segundo Dagoberto Júnior na residência da Família Campos, tutelada pela Senhora Joaquina Piauilino de Holanda Campos. Sem delongas, o que ocorria em Oeiras naquela época era que durantes as reformas nas igrejas, as imagens eram levadas a casa de famílias abastadas, que por ventura quase nunca voltavam ao seu lugar de origem, destino esse que teve a imagem primitiva de Nossa Senhora da Vitória, que como herança passou por diversas mãos. Na década de 70 do século XX inúmeras imagens dos idos coloniais foram vendidas a custos insignificantes a colecionadores que adquiriram tais peças de famílias oeirenses.


Assim evitando que a imagem de Nossa Senhora da Vitória tivesse o mesmo destino que tantas outras, a peça foi comprada pelo então pároco Leopoldo Portela do senhor popularmente conhecido como Amorim. Uma aquisição que em longo prazo passou a ser uma das imagens prediletas do acervo sacro particular da família Portela, visto que o senhor Leopoldo deixara o sacerdócio. Atualmente a peça esta sob o auspicio da viúva do mesmo na cidade de Teresina. Em 1997, Nossa Senhora da vitória foi proclamada como padroeira do Piauí, titulo concedido pelo Papa João Paulo II evidenciando três séculos e muitas gerações de devoção mariana, porém a controvérsia é que a imagem primitiva não faça parte do acervo sacro oeirense.


Por bom senso, mesmo que a imagem não fosse reposta no altar-mor da Catedral, que fosse ao menos exposta, diga-se de passagem, em destaque no Museu de Arte Sacra da cidade, algo que massagearia o ego dos oeiresnes e sanaria a repetida pergunta dos visitantes: ”onde esta a imagem primitiva?”. Sem ufanismo, a imagem primitiva de Nossa Senhora da Vitória é herança de todos os oeirenses e nada mais sensato que ela estivesse em Oeiras, para que tantas gerações que a desconhece pudesse dar o devido valor a ela como uma das peças fundamentais para a concretização da formação social, política e cultural do estado do Piauí.


Junior Vianna


Oeiras, julho de 2009

7 comentários:

Israell - bobi disse...

Depois que tudo já não existir mais vão começar as reclamações e murmúrios de lamento.Uma tristeza uma cidade como Oeiras não ter poder de construir integralmente o seu acervo material.

Junior Vianna disse...

esse email foi enviado a mim pelo Professor Cineas Santoslog apos a leitura do texto:
Viana,meu irmão:
Até que enfim ouço algo que soa como música aos meus ouvidos. Essa imagem pertence ao povo de Oeiras, não importa quem a tenha comprado e em que condições. Levante essa bandeira, mobilize o povo da cidade e conte com o meu modesto apoio. Num gesto de grandeza, a família do Leopoldo bem que poderia devolvê-la a Oeiras, com festa, brilho e tudo mais. Seria algo extraordinário. Parabéns pela iniciativa. Cordialmente, Cineas Santos

Edmo Campos disse...

Conhecendo o Sr. Leopoldo como conheci, a imagem deve está em perfeito estado de conservação. Porém, concordo contigo Júnior, ela poderia ficar mesmo no Museu de Arte Sacra. Na minha opinião, não pode existir "usuapião"(adquirir pelo uso) sobre o patrimônio cultural e histórico de um povo. É algo que pertence tanto às gerações passadas quanto às futuras. Transcende o fator tempo.

Edmo Campos disse...

leia-se: "usucapião"

Heryka disse...

Seria muito bom se a familia em que esta sobre o poder dessa imagem podesse doa-la ao museu afinal é uma reliquia que faz parte de toda a sociedade Oeirense.

Portal do Sertão disse...

Querido Júnior Vianna:

Atapetado de razão, acho que, desta vez, você conseguiu ultrapassar-se pois falou em nome de todos os oeirenses e, inclusive, no meu, que não sou oeirense.Ninguém pode vender coisa que não lhe pertence e, portanto, é nula de pleno direito a transação feita naquela época. Não se trata, no entanto, longe disso, de encontrar "culpados" mas, isso sim, de um legítimo resgate histórico, um processo que você, eu diria, brilhante e corajosamente iniciou, mas que vai depender da atuação de todos nós que não vemos o menor sentido nesta apropriação privada de um patrimônio público. Parabéns, portanto, é o mínimo que eu devo externar. Uma lição de civilidade foi o que você deu a todos nós. Quando a supra citada imagem for devolvida à nossa comunidade, creio que a ninguém será lícito esquecer que foi você quem deu o pontapé inicial para que isso se tornasse uma realidade. O resto da caminhada neste rumo é responsabilidade de todos .

Cynthia Osório disse...

Está aí júnior, oportuna discussão, que bom vc atentou pra esse fato nos atenta também!Pincipalmente agora, mês de agosto!