Rua da Usina Velha


Na Rua da Usina velha jaziam as casas cada vez mais pálidas com o sol, do alto destas, os beirais testemunhavam silenciosos os andantes em destinos avulsos, tão quanto o olhar negro de Esmeralda, que sentada na soleira da janela assistia o dia passar sem nenhuma preocupação.


Mesmo sendo uma mulher da noite, não impedia que acordasse cedo e repetisse cotidianamente o seu insignificante modo de viver, pois ante mesmo de assear-se, retocava a maquiagem e passavam sobre os seus lábios carnudos um batom encarnado que de longe chamava atenção. Passava o seu pseudo-perfume francês comprado na quitanda de seu Godofredo que de tão forte concorria com seu cheiro natural.


Dependurada na janela com as pernas cruzadas degustava elegantemente a sua refeição matutina, cuscuz com leite, quem não a conhecia parecia ate ser o que de verdade não era. Ali, estava Esmeralda Rubi, a mais fogosa das raparigas da cidade, a preciosidade que sabia fazer os homens gemerem sem sentir dor. O preço para uma noite com ela variava conforme a estirpe do freguês.


Após ter tomado o café, vergou-se ao retocar o esmalte dos dedos do pé e das mãos. Com uma blusa curta, fazia com que metade dos seios ficasse a mostra, despertando assim, o interesse dos transeuntes masculinos. De poucos estudos, ariscava de vez enquanto uma leitura para passar o tempo, o que lia realmente era o horóscopo de dias passados que viam no jornal que enrolavam as barras de sabão que comprava na quitanda.


Ao longe percebeu um vendedor de rede que logo se aproximou dela.

__ Quer comprar uma rede dona? – inquiriu o rapaz.

__ Quanto custa?

__ Diz seu preço minha dona que ai eu boto o meu!- retrucou o vendedor.

__Você bota mesmo?!... Mas essas redes são boas mesmo?- Indagava Esmeralda de maneira bem maliciosa.

__ Rum! Como são... Vem lá do Ceará!

__ Da pra dormir de costela seu moço?

__ Como assim?

__ De dois, seu moço... Bem coladinho e com o caba cheirando no cangote da gente.

__ Ai só com o marido da Senhora pra saber!

__ Primeiro, senhora é a mãe de Deus e segundo... Eu não tenho marido!

__Desculpa! Ai fica difícil!

__ E tu num quer testar comigo não?


O rapaz fez cara de espanto, parecia envergonhado ou simplesmente surpreso com o convite. Olhou para os lados e pediu apenas um copo de água. Repentinamente, Esmeralda saiu puxando o vendedor para dentro de casa, o coitado tomado pela emoção hormonal deixava-se ser conduzido por aquela mulher.


Experiente, tratou-a logo de fechar a janela e a porta e do lado da maquina de costurar o rapaz indagou:

__ E a água?

__ Que água? Tira logo essa tua roupa e arma logo essa rede!


Obedecendo-a, despiu-se e já excitado entrou na rede a espera de Esmeralda, que completamente nua adentrou a rede.

__ Ai, ai... Ai, ai...

__ O que foi? To que machucando?

__ É não seu besta! É prazer!

__ E precisa essa gritaria toda?

__ Deixa de prosa homem, continue se não eu...


Os dois em movimentos frenéticos se enroscavam dentro da rede, que balançava de punho a punho.

__ Eita Mulher quente!... Tu não cansas não?!

__Vamos! Cala essa boca homem!


Aos Poucos a rede voltava a balançar calmamente, de dentro saiu o rapaz encharcado de suor, vestiu a roupa e saiu quase sem se despedir de Esmeralda.

__ Já vai painho?

__ Hum Rum!

__ Vá com Deus!


O vendedor bateu a porta e ganhou a rua, onde ainda tentava se arrumar, foi quando percebeu que tinha esquecido a cueca dentro da rede e por sinal, a própria rede. Mesmo assim, seguiu adiante, pois não tinha mais pretensão de voltar aquela casa. Esmeralda levantou-se apenas para abrir a janela, deito-se novamente na rede onde caiu no sono.


Junior Vianna


1 comentários:

Cynthia Osório disse...

kkkkkkkkkkkkkkkk
rindo alto!
Esmeralda Rubi é fogo! adorei esse nome!